Relogio: Vocês e o Tempo

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

PROJETO A COR DA CULTURA 12ª REGIONAL DA EDUCAÇÃO DE ITABAIANA PARAIBA

Valores Civilizatórios

Circularidade

Todos nós conhecemos o prazer que advém do ato de sentar em roda com amigos para contar histórias, fazer música, brincar com jogos ou manifestar a religiosidade. Os próprios valores civilizatórios são bons exemplo de circularidade. A vida é cíclica. Podemos estar muito bem agora e numa posição ruim depois até que voltemos a um estado satisfatório. A humanidade inteira permanece unida por este sentimento circular.

“O terreiro tem o papel importantíssimo de resgatar a Mãe África, mesmo que através de uma nostalgia, de um lamento. E é esse território representado pelo círculo que vai reaparecer em várias atividades, de cunho religioso e também no espaço lúdico. Essa mesma roda está presente na capoeira, no jongo, no tambor de crioula, na gira da umbanda e no samba”.

Religiosidade

Para a nação afro-descendente, religiosidade é mais do que religião: é um exercício permanente de respeito à vida e doação ao próximo. A propósito, em tempos de tanta violência gratuita, vale pontuar que a vida é um dom divino, de caráter transcendental, e deve ser usada para cuidar de si e do outro.

“A cada dia acontece uma lição de vida. Aprende-se de tudo, a comunicação com os mais velhos, com os mais novos, o trabalho em grupo fazendo-se o que gosta ou que não gosta; e, sobretudo, aprende-se o gosto pela vida, numa estreita relação com o Orixá” (Mãe Stella)

Corporeidade

Este conceito nos ensina a respeitar cada milímetro do corpo humano, que deve estar presente em cada ação e em diálogo com outros corpos. As demandas corporais devem ser consideradas. Afinal, o corpo atua, registra nele próprio a memória de várias maneiras, seja através da dança, da brincadeira, do desenho, da escrita, da fala. Das músicas às danças, com tudo o que elas anunciam e denunciam. Os corpos dançantes revelam memórias coletivas.

“Aprendemos que as danças circulam e que o corpo informa sobre a vida de cada dançarino” (Antonio Nóbrega)

Musicalidade

Famosa no mundo inteiro pela sua qualidade inconteste, a música brasileira tem os dois pés bem fincados no Continente Negro. Quem resiste aos encantos de uma batucada? A musicalidade, a dimensão do corpo que dança e vibra em resposta aos sons só reafirma a consciência de que o corpo humano também é melódico e potencializa a musicalidade como um valor.

“O som é o ponto de partida dos primeiros habitantes do globo terrestre rumo à formação dos primeiros agrupamentos humanos que, no curso da evolução, irão constituir a nossa civilização. A importância da música, da qual o som é a matéria-prima, é superior à descoberta do fogo, ou à invenção da roda ou da imprensa” (Charles Murray)

Memória

Para despertar o sentimento de afro-brasilidade e, sobretudo, de orgulho ao exibi-la, é necessário mexer no eixo do racismo e da memória: o racismo como algo a ser enfrentado e a memória para que a presença africana que habita em nós possa emergir livremente.

Ancestralidade

Quando se pensa em ancestralidade, faz-se uma imediata ponte com a história e a memória. Convém não esquecer o passado. Não há fórmulas complexas para vivenciar o que é, de fato, a ancestralidade. Quer provar? Então saia em busca do relato dos mais velhos, que trazem o rico imaginário afro-brasileiro.

“A memória compõe nossa identidade. É por intermédio da memória que construímos nossa história. Ao construir a memória, construímos lembrança, que para existir precisa do outro e necessita ser compartilhada. Assim também é a obra de arte” (Franklin Esparth Pedroso)

Cooperativismo

Falar sobre cultura negra requer usar a palavra ‘coletivo’. Pensar em africanidades é pensar em comunidade, em diversidade, em grupo. Imaginem o que teria acontecido com a população negra num sistema escravocrata se houvessem desprezado o princípio da parceria, do diálogo, da cooperação? E ainda nos dias que corre, nesta sociedade racista excludente?

“Durante séculos os povos da África Central tinham lidado com a diversidade étnica, desenvolvido tradições religiosas comuns e compartilhado formas culturais. Essas habilidades eles as transmitiram para o Brasil, onde utilizaram indiscutivelmente técnicas similares para lidar com a diversidade cultural” (Karasch)

Oralidade

Herança direta da cultura africana, a expressão oral é uma força comunicativa a ser potencializada. Jamais como negação da escrita, mas como afirmação de independência. A oralidade está associada ao corpo porque é através da voz, da memória e da música, por exemplo, que nos comunicamos e nos identificamos com o próximo.

“Griots são contadores de histórias fundamentais para a permanência da humanidade: são como um acervo vivo de um povo. Carregam nos seus corpos lendas, feitos, canções e lições de vida de uma população, envoltos numa magia própria, específica dos que encantam com o corpo e com sua oralidade” (Gregório Filho)

Energia Vital

O princípio do axé é a vontade de viver e aprender com vigor, alegria e brilho no olho, acreditando na força do presente. Em nada se assemelha a normas, burocracias, métodos rígidos e imutáveis. Pelo contrário. Tudo é uma possibilidade para quem é guiado pelo axé.

“Perdi os dedos, mas não a força e a vontade de esculpir. Aprendi a usar os joelhos como quem usa os pés. Amarrei os instrumentos às mãos para continuar a trabalhar. Afinal, a criação nasce na cabeça, não na ponta dos dedos” (Heróis de Todo Mundo, programa sobre Aleijadinho)

Ludicidade

Entre suas variadas utilidades, os jogos sempre viabilizaram o aprendizado. Também serviram para transmitir as conquistas da sociedade em diversos campos do conhecimento. Quando os membros mais velhos de um grupo revelam aos jovens como funciona um determinado jogo de tabuleiro, por exemplo, eles transmitem uma série de conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural daquele grupo.

“Antigamente, o jogo era associado a ritos mágicos e sagrados. Dependendo do lugar, era reservado apenas para os homens, ou para os homens mais velhos, ou, ainda, era exclusivo dos sacerdotes” (Os Melhores Jogos do Mundo)

Instituições

Nesta terceira fase o A Cor da Cultura pretende oferecer as bases para a sustentabilidade e autonomia na utilização dos materiais e metodologias para o fortalecimento das redes.

Com isso, nove instituições (ONGs, universidades, fundações, institutos etc), atravésde um edital público realizado no início de 2010, foram selecionadas para serem os formadores das redes de ensino utilizando o Kit A Cor da Cultura.

Conheça um pouco de cada uma delas abaixo.

Ação Educativa

A ONG foi fundada em 1994, tem sede em São Paulo e foi declarada Utilidade Pública no Município e Estado de São Paulo. Desenvolve projetos e ações na área da educação, como formação de educadores, produção de material pedagógico, desenvolvimento de programa de integração da escola com a comunidade entre outros.

ACEAA

A Associação Centro de Estudos Afro Asiáticos da Universidade Candido Mendes

ACEAA foi criada em 1996 para realizar atividades e programas relacionados aos estudos africanos e asiáticos. Promoveu e realizou inúmeras atividades como: curso de pós-graduação em História da África e do Negro no Brasil, curso de Relações Internacionais, curso de História do Século XX, seminários e cursos de formação sobre a África, cursos de formação de professores, entre outras.

CEAP

Centro de Articulação de Populações Marginalizadas / Núcleo Brasileiro, Latino Americano e Caribenho de estudos em relações raciais, gênero e movimentos sociais - NBLAC, da Universidade Federal do Ceará, Campus Cariri

O CEAP é uma ONG, sem fins lucrativos, fundada no Rio de Janeiro em 1989, por ex-internos da Funabem, Movimento de Mulheres e membros da comunidade negra. O NBLAC é  espaço acadêmico especializado em estudos de relações raciais e suas interações com gênero, educação, culturas, identidades, desigualdades sociais, políticas públicas e movimentos sociais.

FUNDEP

Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa/Programa de Ações Afirmativas da Universidade Federal de Minas Gerais

O Programa Ações Afirmativas desenvolve, desde 2001, o conhecimento da problemática racial na educação brasileira, especialmente na inserção e permanência de alunos afrodescendentes no ensino superior; atividades internas e extrauniversidade voltadas para valorização da cultura negra em suas múltiplas expressões; colaboração no desenvolvimento de políticas e programas de formação de docente junto a municípios e estados, entre outros.

GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra

Geledés, formado em 1988 e com sede em São Paulo, é uma Organização Não Governamental voltada ao enfrentamento do preconceito racial e de gênero na sociedade brasileira e tem o objetivo de desenvolver propostas de políticas públicas que promovam a equidade de gênero e raça.

IJC – Instituto de Juventude Contemporânea

O IJC, legalizada em 1999, foi criada por jovens das pastorais populares, que decidiram ter um instrumento de ação direta junto à juventude. O instituto tem o objetivo de desenvolver práticas político-sociais, tendo o jovem como protagonista, e construir uma sociedade justa, democrática, fraterna e sustentável.

INDEC

O Instituto de Desenvolvimento Cultural Nova Iguaçu - INDEC foi fundado em 1992, no bairro de Miguel Couto, em Nova Iguaçu, para dar continuidade ao trabalho social desenvolvido por Mãe Beata no início do ano de 1987. Dedica-se às ações que chamem atenção para as demandas das comunidades de terreiro e da comunidade do entorno.

NEAB/UFU

Núcleo de Estudos Afro Brasileiros da Universidade Federal de Uberlândia

A UFU tem em sua estrutura uma Escola de Formação Básica, com o NEAB e inúmeros centros de desenvolvimentos de pesquisas e programas variados, dentre os quais: o “Programa de Formação continuada em Educação”, o “Plano Nacional de Formação de Professores”, o “Programa de Formação Básica”. Destaca-se o curso de Pós-Graduação em História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, coordenado pelo NEAB e financiado MEC/SECAD/FNDE

N’ZINGA

Coletivo de Mulheres Negras de Belo Horizonte

O Nzinga, fundado em 1986, tem a sede em Belo Horizonte é uma organização feminista negra que luta contra todas as formas de discriminação e opressão de gênero e raça/etnia. N’zinga também tem o objetivo de buscar alternativas que proporcionem a inclusão sociopolítica e econômica das mulheres afrodescendentes e seus familiares na sociedade

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

PROJETO A COR DA CULTURA MOSTRANDO OS TRABALHOS PEDAGÓGICO DOS EDUCADORES DO MUNDO

Mensagens e dinâmicas para encontros pedagógicos

Estes textos foram alguns que eu trabalhei ano passado com meus professores. Devido a gestação da Laura eu trabalhei só até o meio do ano. É, a pequena precisou ficar descansando até o nascimento. Mas tudo deu muito certo, ela está cada dia mais fofinha.
Então vamos lá. Vou colocar o texto e como eu utilizei com a equipe escolar.

1. A Estrela Verde
"Era um vez, milhões e milhões de estrelas no céu. Havia estrelas de todas as cores: brancas, lilases, prateadas, douradas, vermelhas e azuis. Um dia, elas procuraram o Senhor Deus Todo-Poderoso e disseram-lhe: “Senhor Deus, gostaríamos de viver na Terra, entre os homens.” "Assim será feito" - respondeu Deus - "Conservarei todas vocês pequeninas como são vistas e podem descer até a Terra." Conta-se que naquela noite houve a mais linda das chuvas de estrelas. Algumas aninharam-se nas torres das igrejas, outras foram brincar e correr com os vaga-lumes dos campos, outras misturaram-se aos brinquedos das crianças e a Terra ficou maravilhosamente iluminada.

Passado algum tempo porém, as estrelas resolveram abandonar os homens e voltar para ao céu, deixando a Terra outra vez escura e triste. "Por que voltaram?" perguntou Deus à medida em que chegavam novamente ao céu. "Senhor, não nos foi possível permanecer na Terra; lá existe muita desgraça, muita fome, muita violência, muita injustiça, muita maldade, muita doença." E o Senhor lhes disse "Claro, o lugar real de vocês é aqui no céu, estamos no lugar da perfeição, no lugar onde tudo é imutável, onde nada perece." Depois de chegadas todas as estrelas e conferindo-lhes o número, Deus tornou a falar: "Mas está faltando uma estrela... Perdeu-se pelo caminho?" Um anjo, que estava perto, replicou: "Não, Senhor, uma estrela resolveu ficar entre os homens. Ela descobriu que o seu lugar é exatamente onde existe imperfeição, onde há limites, onde as coisas não vão bem." "Mas que estrela é essa?" - voltou Deus a perguntar. "Por coincidência, Senhor, é a única estrela dessa cor." "E qual a cor dessa estrela?"- insistiu Deus. E o anjo disse: "A estrela é verde, Senhor, a estrela verde do sentimento da esperança." Quando então olharam a Terra, a estrela já não estava só. A Terra estava novamente iluminada, porque havia uma estrela verde no coração de cada pessoa. Porque o único sentimento que o homem tem e Deus não tem é a esperança. Deus já conhece o futuro, enquanto que a esperança é própria da Natureza Humana. Daquele que cai, daquele que erra, daquele que não é perfeito, daquele que não sabe ainda como será o seu futuro."

  • Primeiro o texto foi lido.
  • Depois fiz várias estrelas verdes de papel, uma para cada participante da reunião.
  • Coloquei para os professores que eles são a estrela verde de cada aluno na escola. Pedi que cada um escrevesse dentro da estrela como ele poderia iluminar a vida dos alunos que mais precisam de atenção em sua sala de aula.
  • As estrelas foram trocadas entre os participantes e lidas.

2. Oração da Escola
Gabriel Chalita


Obrigado, Senhor, pela minha escola!

Ela tem muitos defeitos. Como todas as escolas têm. Ela tem problemas, e sempre terá. Quando al­guns são solucionados, surgem outros, e a cada dia aparece uma nova preocupação.

Neste espaço sagrado, convivem pessoas muito diferentes. Os estudantes vêm de famílias diversas e car­regam com eles sonhos e traumas próprios. Alguns são mais fechados. Outros gostam de aparecer. To­dos são carentes. Carecem de atenção, de cuidado, de ternura.

Os professores são também diferentes. Há alguns bem jovens. Outros mais velhos. Falam coisas dife­rentes. Olham o mundo cada um à sua maneira. Alguns sabem o poder que têm. Outros parecem não se preocupar com isso. Não sabem que são líderes. São referenciais. Ou deveriam ser.

Funcionários. Pessoas tão queridas, que ouvem nossas lamentações. E que cuidam de nós. Estamos juntos todos os dias. Há dias mais quentes e outros mais frios. Há dias mais tranqüilos e outros mais tumultuados. Há dias mais felizes e outros mais do­lorosos. Mas estamos juntos.

E o que há de mais lindo em minha escola é que ela é acolhedora. É como se fosse uma grande mãe que nos abraçasse para nos liberar somente no dia em que estivéssemos preparados para voar. É isso. Ela nos ensina nossa vocação. O vôo. Nascemos para voar, mas precisamos saber disso. E precisamos, ain­da, de um impulso que nos lance para esse elevado destino.

Não precisamos de uma escola que nos traga todas as informações. O mundo já cumpre esse pa­pel. Não precisamos de uma escola que nos transfor­me em máquinas, todas iguais. Não. Seria um crime reduzir o gigante que reside em nosso interior. Seria um crime esperar que o vôo fosse sempre do mesmo tamanho, da mesma velocidade ou na mesma altura.

Minha escola é acolhedora. Nela vou permitin­do que a semente se transforme em planta, em flor. Ou permitindo que a lagarta venha a se tornar bor­boleta. E sei que para isso não preciso de pressa. Se quiserem ajudar a lagarta a sair do casulo, talvez ela nunca tenha a chance de voar. Pode ser que ela ain­da não esteja pronta.

Minha escola é acolhedora. Sei que não apreen­derei tudo aqui. A vida é um constante aprendizado. Mas sei também que aqui sou feliz. Conheço cada canto desse espaço. As cores da parede. Os quadros. A quadra. A sala do diretor. A secretaria. A bibliote­ca. Já mudei de sala muitas vezes. Fui crescendo aqui. Conheço tudo. Passo tanto tempo neste lugar. Mas conheço mais. Conheço as pessoas. E cada uma de­las se fez importante na minha vida. Na nossa vida.

E, nessa oração, eu Te peço, Senhor, por todos nós que aqui convivemos. Por esse espaço sagrado em que vamos nascendo a cada dia. Nascimento: a linda lição de Sócrates sobre a função de sua mãe, parteira. A parteira que não faz a criança porque ela já está pronta. A parteira que apenas ajuda a criança a vir ao mundo. E faz isso tantas vezes. E em todas às vezes fica feliz, porque cada nova vida é única e merece todo o cuidado.

Obrigado, Senhor, pela minha escola! Por tudo o que de nós nasceu e nasce nesse espaço. Aqui, posso Te dizer que sou feliz. E isso é o mais importante. Amém!

  • Entreguei o texto aos professores.
  • Passei o áudio da oração feita pelo próprio autor. (Se precisar do áudio, deixe o e-mail que eu envio)
  • Depois cada um disse o que mais chamou atenção na mensagem.

3. Professores Apaixonados

Gabriel Perissé
Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo. Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.

As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.

Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato. Apaixonar-se sai caro!

Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria. Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.

Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.

Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.

Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro. Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.

Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração. Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.

Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.

Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.

A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.

  • Leitura e debate do texto

4. A arte de ser feliz

Cecília Meireles

Houve um tempo em que minha janela se abria

sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.

Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,

e o jardim parecia morto.

Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,

e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.

Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.

E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.

Outras vezes encontro nuvens espessas.

Avisto crianças que vão para a escola.

Pardais que pulam pelo muro.

Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.

Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.

Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.

Ás vezes, um galo canta.

Às vezes, um avião passa.

Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.

E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,

que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,

outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,

finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.



  • Leitura do poema.



  • Cada um recebeu uma janela, nela deveria ser escrito o que ele vê e o faz feliz.



5. Ver Vendo
Otto Lara Rezende


De tanto ver, a gente balaniza o olhar – ver... não vendo.

Experimente ver, pela primeira vez, o que você vê todo dia, sem ver.

Parece fácil, mas não é: o que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade.

O campo visual da nossa retina é como o vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta.

Se alguém lhe pergunta o que você vê pelo caminho, você não sabe.

De tanto vê, você banaliza o olhar.

Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório.

Lá estava sempre, pontualíssimo, o porteiro.

Dava-lhe bom dia, às vezes, lhe passava um recado ou uma correspondência.

Um dia o porteiro faleceu.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia.

Em 32 anos nunca consegui vê-lo.

Para ser notado o porteiro teve que morrer.

Se, um dia, em seu lugar tivesse uma girafa cumprindo o rito, pode ser, também, que ninguém desse por sua ausência.

O hábito suja os olhos e baixa a vontade. Mas a sempre o que ver; gente; coisa; bichos.

E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê aquilo que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpo para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez, o que, de tão visto, ninguém vê. O pai que raramente vê o próprio filho. O marido que nunca viu a própria mulher.

Os nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos.

...e por ai que se instala no coração o monstro da indiferença.



  • Leitura do texto
  • Dividiu o grupo em pares, um de frente p o outro. Enquanto um fecha o olho o outo teria que modificar uma coisa no seu visual e outro teria que descobrir.
  • Socializar e discutir como as vezes não observamos as coisas a nossa volta. Como temos um olhar viciado, entre outras coclusões bastante pertinentes para trabalhar os relacionamnetos interpessoais.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

O PROJETO A COR DA CULTURA DA 12ª REGIONAL PARABENIZA O ALUNO JULIO CESA JUNIOR POR SEU BELO DESFILE E OS DEMAIS GAROTO POR COMPREENDER QUE ELE FEZ A DIFERENÇA NA PASSARELA DO GAROTO E GAROTA ESTUDANTIL DA ESCOLA ESTADUAL DO ENSINO INOVADOR ANTONIO BATISTA SANTIAGO DA CIDADE DE ITABAIANA PARAIBA

JULIO CESAR É UM ALUNO ESPECIAL, O MESMO MORA EM ITABAIANA PARAIBA ONDE TEM UM CONVIVIO COM SEUS AMIGOS E COLEGAS, A PROFESSORA A CONHECIDA PRINCESA ESCREVEU O ALUNO NO GAROTA E GAROTO ESTUDANTIL E MOSTROU QUE ELE NÃO É DIFERENTE, E SIM ELE FAZ A DIFERENÇA NO MEIO DE TANTOS. COM SEU CHARME, GINGADO, CARRISMA, E DESENVOLTURA, COMQUISTOU O PUBLICO EM GERAL NO DESFILE QUE PARA ELE FICARA MARCADO EM SUA VIDA. PARABENS JUNINHO SUA MÃE DEVE ESTA ORGULHOSA POR ESTE BRILHANTE TRABALHO E NOS TAMBÉM.


PARABENS ALUNOS POR TER FEITO A DIFERENÇA NA PASSARELA DA VIDA.












PROJETO A COR DA CULTURA E BLOG NIVALDOACORDACULTURA PARABENIZA A TODOS QUE FIZERAM DO DESFILE UMA PASSARELA DA MODA

OS JURADOS DA MESA APURADORA DE VOTOS DO GAROTA ESTUDANTIL 2013 EM ITABAIANA PARAIBA


OS JURADOS REPRESENTANTES ELA: A FORNODEOLOGA E REPRESENTANTE ESCOLAR, ELE: REPRESENTANTE DA MAÇONARIA DO PERNAMBUCO


O DJ: ROMULO MOSTRA SEU TRABALHO NO DESFILE DO GAROTA ESTUDANTIL 2013 EM ITABAIANA-PB


JURADOS DIZ QUE DESFILE FOI UM INCENTIVO PARA OS JOVENS ALUNOS MOSTRAREM QUE A BELEZA E O TALENTO ANDA JUNTOS














A ATUAL DIRETORA DA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO INOVADOR ANTONIO BATISTA SANTIGA LUCIA ALVES FAZ A ENTREGA DO BUQUE A VENCEDORA>


O PROFESSOR FRANCISCO AMANSO CONHECIDO POR ( CHIQUINHO AMANSO ENTREGA PREMIO)


FAMILIA DA VENCEDORA DO GAROTA ESTUDANTIL 2013 DO COLEGIO ANTONIO BATISTA SANTIAGO DO ENSINO INOVADOR DIZ QUE ELA É MUITO DEDICADA EM TUDO QUE FAZ.


A GAROTA SIMPATIA ESTUDANTIL  2013  MOSTRA  SEU CHARME PARA TODO O PUBLICO


COORDENADOR DO PROJETO A COR DA CULTURA NIVALDO MIGUEL DA 12ª REGIONAL DE ITABAIANA PARAIBA FEZ PARTE DA MESA DE APURAÇÃO DO GAROTA ESTUDANTIL 2013 DA ESCOLA ESTADUAL DO ENSINO INOVADOR ANTÕNIO BATISTA SANTIAGO SITUADO NO ALTO PROFESSOR MACIEL EM ITABAIANA - PB